sexta-feira, 24 de maio de 2013


21h. Estou tentando sistematizar o portfólio de Introdução à Metodologia quando de repente sou surpreendida com gritos de um cidadão, se é que posso chamá-lo assim. Estava agredindo sua suposta ‘esposa’ na rua. Sim, na rua e bem em frente à minha casa, e da minha janela escuto tudo. Onde é que vamos parar? - é o que me ocorre.  Meu primeiro pensamento foi: “Ele ainda vai achar um que acerte a tampa dele”. Mas no segundo seguinte me peguei culpando a ‘esposa’: Por que é que ela se submete a isso?! Pego o celular e tento ligar para a polícia. Falha do sinal da operadora. Não posso acreditar.

Tento acompanhá-los do meu portão, mas nada feito. Perco-os de vista quando entram na próxima esquina à direita. Será que ela é direita?! Isso não importa, é violência o que ele tá fazendo com ela. Eu sangro com aquela mulher que agora está em casa e sob o julgo de seu marido, sob o julgo daquele que prometeu proteger-lhe e agora a faz chorar e sangrar.

Esse é apenas um dos casos que chegaram aos meus olhos hoje. A cada 2 minutos, 5 mulheres são agredidas violentamente no Brasil. E tenha a certeza que esse número é bem maior, visto que não são todas que logram registrar a violência.

Sou mulher e choro. Sangro com cada agressão, seja física, falada, olhada...choro por dentro quando ficam em silêncio quando eu passo e percebo que falam bobagens, como se fosse um produto, apenas imagem refletida no espelho.

.Sangro e choro.

Rafaela Valença

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