21h. Estou tentando sistematizar
o portfólio de Introdução à Metodologia quando de repente sou surpreendida com
gritos de um cidadão, se é que posso chamá-lo assim. Estava agredindo sua
suposta ‘esposa’ na rua. Sim, na rua e bem em frente à minha casa, e da minha
janela escuto tudo. Onde é que vamos parar? - é o que me ocorre. Meu primeiro pensamento foi: “Ele ainda vai
achar um que acerte a tampa dele”. Mas no segundo seguinte me peguei culpando a
‘esposa’: Por que é que ela se submete a isso?! Pego o celular e tento ligar
para a polícia. Falha do sinal da operadora. Não posso acreditar.
Tento acompanhá-los do meu
portão, mas nada feito. Perco-os de vista quando entram na próxima esquina à
direita. Será que ela é direita?! Isso não importa, é violência o que ele tá
fazendo com ela. Eu sangro com aquela mulher que agora está em casa e sob o
julgo de seu marido, sob o julgo daquele que prometeu proteger-lhe e agora a
faz chorar e sangrar.
Esse é apenas um dos casos que
chegaram aos meus olhos hoje. A cada 2 minutos, 5 mulheres são agredidas
violentamente no Brasil. E tenha a certeza que esse número é bem maior, visto
que não são todas que logram registrar a violência.
Sou mulher e choro. Sangro com cada
agressão, seja física, falada, olhada...choro por dentro quando ficam em
silêncio quando eu passo e percebo que falam bobagens, como se fosse um
produto, apenas imagem refletida no espelho.
.Sangro e choro.
Rafaela Valença
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