Desfiou a barra mal costurada
em seu coração.
Desfiou e retirou dali cada ponto grosseiro,
desalinhado, assimétrico que tinha feito.
Era tanto desencanto para desfiar que ali passou por
três dias sem mais nada fazer.
Relembrou do cantor, do dançarino árabe, do moço de
sorriso amarelo.
E sorriu (nada mais lhe parecia certo naquele
momento).
Costurou então seu coração com palavras macias,
gracejos, carinho na ponta dos dedos do pé, beijos na nuca, mãos que
circundavam a cintura, com as canções mais bonitas, meias listradas...
O seu coração então encheu-se de cor...
e ela não quis mais chorar.

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